quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Não sei se estás aí"


Não sei se estás aí

ou não

só sei que tens nos

feito coisas tremendas

nos faz pensar...

rir...

chorar.



Tu nos têm feito coisas

maravilhosas.



Não sei quem tu és,

donde a certeza de

que estás aí?

Só sei que nos têm feito

vibrar...

amar...

sonhar...

temer...

tremer.


Não sei se estás aí,

só sei da felicidade

que nos dá,

nada atrapalhas

tudo completas

tudo nos dá.


(lá se vão vinte e dois anos deste escrito; e tu continuas nos dando: amor, felicidade, sonho, temor, tremor.... tudo completas, tudo nos dá)

"Eu vazio"

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a mágoa
que me invade o peito
e avassala-me a mente?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a fera que quando
menos espero
vem?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a dor que range e fere?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
o pranto que canto,
choro e poetizo?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a força
que de ti me vem?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
o Amor
que te tenho?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
tu
que me encanta e alucina?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
tu, Amor meu,
que me arrebata a lugares
ermos, tranquilos,
serenos?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a força que de ti
me vem
e faz-me
enfrentar mágoa, feras,
dor
pranto...
e viver no
Amor?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
tu?

(Luiz Mauro)

quarta-feira, 25 de junho de 2008




Assim ela rezava.
Riscando no papel a casa de seu Deus.

(Norminha de nossas vidas)

domingo, 22 de junho de 2008




O que faço, o que penso, tudo.....


"...desperta-me pensamentos desconhecidos para mim" (Levy-Strauss, 1989)

(Luiz Mauro)
Olhares III
Olhares II





Olhares - I
...e o mundo se desfaz.
OLHARES
OLHO. Vejo o mundo de todo dia. Não há espanto.
PERCEBO. Vejo, o rápido infinito do instante que se vai... e fica.
ENXERGO. O mundo que se me sai d'alma.
VEJO. O universo... coisas, formas, cores, luzes, sentimentos, histórias. Estruturas.
UMA. Composição do mundo frente aos olhos.
DINÂMICA. O movimento imperceptível das coisas.
- olho, percebo, enxergo... vejo uma dinâmica da alma que se funde e re-fundo no mundo.

Flor de minha predileção

que desabrochou no explendor

de um tempo que veio a se chamar

primavera.

És, tu, primavera eterna de minha vida.


(presente na memória, perdido no tempo de um setembro longínquo)







Ao Dé, energia viva no universo; paz - vida - luz: sempre.


"Enfim é manhã, acordar tem tanto perigo, não é mais

possível sonhar com o impossível.

Neste último segundo foi como uma visão antes de abrir os

olhos,

Tive a grande certeza: a vida é um prato de

minguau.

É! O que falo é sério, estamos todos mergulhados neste

pequeno prato de minguau.

No meio dele está fumegante como lava de vulcão, tudo ali

borbulha, tudo é up.

É fashion, é podre, é criminal, é divinamente divino, é

maravilhosamente maravilhoso, descaradamente profano.

Cada molécula de fumaça, cada átomo dessa mistura toda,

atravessa toda intensidade do céu e do inferno é pura

pulsação.

Pela beiradas este pequeno prato traz a porção mais fria

deste minguau,

é dali que os ratos se alimentam dessas sobras de

mesquilharia, por ali eles

arrotão futilidades, por ali se arrogão donos do planeta.

Espremidos entre o calor fervente da vida pulsante, e o

morno decadente da

existência degradada, estamos nós, você, eu.

É o equilíbrio de tudo isso, de toda essa loucura, que

descubro ser a vida,

é uma pena e muito bom ter visto isso só agora.

Acordar já não será tão perigoso assim."


= Paulo Rogério Leonel Silva, poeta, pensador e fazedor de pedras; moldava o vidro, dava-lhe formas, várias =
2002

sábado, 21 de junho de 2008


"Poema em 16 Atos"


(...canta o poema o imaginário, o não existente, o sensivelmente vivo que reside n'alma envolto em mistério ...participam do poema, durante todos os atos, personagens vindas do eterno desterro, onde estão condenadas ao nada. ...incumbem-se dos refrões cavaleiros imaginários que ora vestem-se de sonhos ora vestem-se de realidade. ...os instrumenstos, todos, são tocados por querubins surgidos não se sabe d'onde. ...trombetas douradas e flautas sagradas, forjadas no mundo das luzes, são os instrumentos utilizados. ...os atos podem ser poetados, cantados, falados, vividos em qualquer ordem. O ser que os poetou seguiu a ordem da razão, sempre mais segura e prática.)


- imenso silêncio. Não há movimento. Os personagens se aproximam -


Ato 1 Não existe nada

nem ninguém


só vida

só atração

só rejeição


Ato 2 Não existe nada

nem ninguém


só paixão

só amor

só querer

só estar


Ato 3 Não existe nada

nem ninguém


só tempo

só brisa leve

só êxtase


Pausa (neste momento há movimento leva, cor de luz, que aos poucos ocupa todo o recinto)


Ato 4 Não existe nada

nem ninguém


só negritude

só lugares

só diferenças

só visões


- Refrão (cavaleiros imaginários vestidos de sonhos falam - em tom alto, forte e ritmado - ao

som de trombetas douradas)


- Vida - Atração - Rejeição -


Ato 5 Não existe nada

nem ninguém


só entendimento

só razão: intelecção


Ato 6 Não existe nada

nem ninguém


só embeber-se

só envolver-se


Ato 7 Não existe nada

nem ninguém


só o olhar

só os Olhos


Ato 8 Não existe nada

nem ninguém


só a pele fina: suave - alva.

só o falar doce: amargo - duro - inebriante.


Pausa (o movimento leve cor de luz aos poucos começa a evaporar-se, perder-se no ar)


- Refrão (cavaleiros imaginários vestidos de sonhos falam - em tom alto, forte e ritmado - ao

som de trombetas douradas)


- Vida - Atração -


Ato 9 Não existe nada

nem ninguém


só sensualidade.

só ser precioso - frágil - inquebrantável.


Ato 10 Não existe nada

nem ninguém


só o ser pequeno - grande - imenso: delicado


Ato 11 Não existe nada

nem ninguém


só o cabelo nervoso em desalinho


Ato 12 Não existe nada

nem ninguém


só a vida que pulsa por entre as mãos que tremem.


Pausa (neste momento tudo para; há uma sensação do novo que deve surgir)


- Refrão (cavaleiros imaginários vestidos de sonhos, apressados despem-se; as trombetas douradas cessam de tocar. Do silêncio profundo cavaleiros imaginários - outros - surgem. Vestem elmos dourados e, ao som de flautas sagradas, entoam - vagarosamente - o último refrão.)


- Vida -


Ato 13 Não existe nada

nem ninguém


só o ser que ama

alegra-se

confunde-se

funde-se

espera?

espera-se


Ato 14 Não existe nada

nem ninguém


só vida

só paz


Ato 15 Não existe nada

nem ninguém


só a alegre paz do estar.

só o prazer do deixar-se invadir.

só o sentir.

só o ser feliz.


Pausa (...todos se retiram. A luz - evaporada do movimento cor de luz - apaga-se. Ao fundo, como surgido do nada, há um clarão, pequena chama que aos poucos tudo ilumina. Vê-se sombras inertes, disformes. Uma legião de cavaleiros imaginários vestidos ora de sonhos ora de realidade, caminham em direção às sombras. Querubins invadem o recinto, imiscuem-se por entre as sombras inertes e disformes. Cantam melodias silenciosas, ao som de flautas sagradas. Os cavaleiros imaginários vestidos ora de sonhos ora de realidade, atraídos pelo cântico silencioso atacam com mansidão e firmeza as sombras inertes e disformes... Acontece o último ato.)


- neste momento só permanece no recinto a imensidão do universo -


Ato 16 Não existe o nada

há, sim, alguém


que é procura

caminho

espera

sonho

ilusão

passagem...


(O clarão de luz surgido do nada torna-se mais intenso, cega a visão. Tudo escurece. Nada mais
se vê.)
"Portal Sagrado"





Tua formosura

assombra-me,

rouba-me a mente...

extasio-me frente a ti.

Adornam-te esculturas divinas...

Protegem-te cortinas de seda,

que caem,

emtreabrem-se

dando a visão esplendorosa

de ti,

Portal Sagrado.

Chego mais perto,

o êxtase aumenta...

calafrio percorre-me o corpo

a mão quer tocar-te,

sentir tuas esculturas.

Exalam de ti aromas mágicos,

de misteriosa essência.

Portal Sagrado

quanto anseio ultrapassar-te,

adentrar no santuário que proteges,

embriagar-me da essência que dele verte,

perceber nuanças,

enveredar-me por caminhos infinitos,

perder-me.

Portal Sagrado,

não ouso tocar-te

sem que de ti me venha o sim...

Portal Sagrado

que nunca ouse, eu,

arrombar-te,

arranhar-te

macular-te.

Portal Sagrado

abre-te a mim,

deixa-me adentrar

no santuário que proteges,

afogar-me na vertente

de tua essência misteriosa

realizar aí a prece

eterna da vida,

sempre.
"Fornalha ardente"










Fornalha ardente


onde consumo


meus pecados....


Oh, eterno gozo



de etéreo sabor


que


ao vento vai...


e me traz

a paz infinita


d'alma


a paz infinita


da mulher amada


que arde em


chama inconsumível


dentro do meu


teu ser,


despertando sonhos...



canções...



amores...



paixões...



Oh, fornalha ardente


em que minh'alma se consome


e some


num eterno


sem tempo,


livre.



Liberta


dos pecados...


dos fantasmas...


do medo.


Oh, chama inconsumível


consuma-me


dentro de ti


faz-me pó, cinza


pra que eu


viva sempre


em ti,


dentro de tua chama



que vermelha, viva e



ardente



sobe ao infinito.




"Sei o Amor"

Sei o que é o
Amor
coisa fudida..
arrebata a alma,
invade o nariz,
arrepia a espinha...
Sei o que é o
Amor,
coisa que vem do fundo,
vaza na boca,
transborda no peito,
dilacera a carne....
Sei o que é o
Amor,
coisa fudida,
que vem de ti
sobra em mim
sobra em ti
e,
na troca eterna de nossos
seres, permanece
firme
rijo
inconfundível
Fede...
Cheiro que invade as narinas
penetra a garganta
desce ao estômago
se aquece n'alma
explode em prazer,
que donde vem
não sei
(deliro),
seu meu
sei teu,
gozo misto...
gozo no teu gozo
e tu gozas
no gozo que de
mim sai...
Sei o que é o
Amor,
coisa fudida.


"Amor d'alma"





Em cada não

um sim sufocado.

Em cada lágrima

um passado emergido.

Em cada gole

uma barreira transposta, posta.

Em cada passo

uma certeza incerta.

Em cada dia-mês

um sim-não constante.

Fim, começo, recomeço

colho desde sempre

a lágrima caída....

o passado emergido...

a incerteza, o sim-não.

Bendita podridão d'alma que

vinda à luz

liberta a mágoa

limpa o olho

faz-me ver

sentir

amar

Não só quando as almas

explodem em gozo

não só quando os corpos

consomem-se em prazer,

mas no dia-sempre

em que fomos

vendo, nos vendo

re-vendo

vivendo.

Amor d'alma

ardendo em carne

vencendo barreira

enxugando lágrimas,

criando choro

descobrindo

Amando, corpo e alma

corpalma

fundindo

re-fundindo.




"Você"



Escrever o quê
se no peito não
há nada,
só você?
Você que canta
minh'alma no Uirapuru
que lhe sai dos lábios finos.
Você que canta
meu choro no ébrio
eterno de meu ser.
E agora? Que faço?Se no peito esse
coração meu
mudou o ritmo?
E agora? Que faço?
Se esse peito
meu sem nada
repleto de ti
está,
que faço?
Você confunde a minh'alma
Você funde meus desejos
Você
é
Você,
que alegra meu espírito
triste de Uirapuru
tonto em lágrimas.
eu.



"pensando em ti"

Dasalinho teus cabelos...
acaricio teu rosto
toco teus lábios. Beijo-te.
Envolvo teu pescoço...
sinto teus seios,
as mãos descem...
- descubro tuas pernas -
desliso-as sobre elas.
Entro em delírio
estou em tuas entranhas
afogo-me
estou em ti,
eu.


"Teu corpo"



O cheiro do teu
corpo invadiu-me o nariz.
O gosto da tua boca
prendeu-se em meu paladar.
O sabor de tua carne,
até onde estive,
arrebentou-me o peito,
explodiu-me o coração.
Então o medo,
medo de já não
ser cativo de teu olhar
mas prisioneiro de teu corpo.
O coração está descompassado:
medo, descompasso, prisão,
solidão;
te quero.
Quero mergulhar em ti
arrebentar teu peito
invadir tua carne
sentir teu sussurro
explodir em ti.
Sem eterno sem finito
Sem efêmero sem infinito.
Agora, só.
Neste momento, só.
Quando invadido, invadir teu ser.
Quando mergulhado, mergulhar em ti.
Já, sem finito
sem eterno
sem efêmero.
Só no agora.
Aí, sim, no
momento eterno
deste finito
libertar-me em ti.
"Amada alada"

Amada
ardente
alucinada
apaixonada...
quem és tu?
Ateaste fogo em
minh'alma
abalaste minha vida
ababelaste minha razão

Andor altíssimo
altar de meus desejos...
aplacaste em mim a fúria de
açude arrombado

Achego-me a ti, agora,
amada alada,
apaixonado
assumo em nós a Aliança,
anel alvo
adornado de Amor
acariciado por anjos
abençoado por Deus
atirado a nós...
aprisiono-me a ti,
Libertação minha.

"Moça"


Ela vem dançando, dançando

gingando, gingando


O corpo gingado

O olhar gingado


O corpo maldado

O olhar gingado


O corpo gingando

O olhar maldando


dançando

suando

gingando

girando

suando

molhando

se dando

amando

gingando

maldando


...e o corpo gingando

e o olhar maldando

gingando, olhando

maldando, girando

falando gingando


maldando

andando

gingando

rodando

girando

gingando

gingando

gingando......

"Mistura de nós" Livros, plantas,
raça, luta,
vida, idéias,
coisas, coisas,
mais coisas...
Dizer meu
e meu e meu,
como?...
se tudo misturamos:
saliva que me
sai da tua boca;
suor que me lava
nossos corpos;
cheiro que já
não sei meu, teu;
...do mel que de
ti verte não sei
mais a consistênia,
ao sêmen que de
mim sai misturou-se;
palavras, quando as
sei minhas, se de ti
as ouço?
olhar, sentido, sentimento,
lágrimas, sofrimento,
tudo já não sei meu
se em ti não sinto.
Misturou-se...
Mesclou-se...
Fundiu-se...

Tudo.

Tempo único
em que tudo somos, num só...
em que tudo confundimos, num só...
Se pouco achamos,
a fusão vai, corre distância,
somos sangue
que em ti vai sendo carne,
minha e tua,
mistura de
ansiedades
raças
paixões
medos
amores
dores...
desejo não aplacado
fogo não consumido
vidas dadas
ferradas
fudidas,
amadas,
na mistura de nós.

poema


"Sempre teu"


Se
de repente
minh'alma
foge,
ela volta,
é alma em fuga...

Se
de repente
minh'alma
foge,
ela é tua,
volta a ti...

Se
de repente
minh'alma
vem e fica,
nunca foi,
sempre ficou,
tua.

"Alma Negra"

"Alma Negra"


Riso aberto ao céu
olho atento à vida...
e à vida que lhe vai
longe...
num mundo que
dança a água, a dor, a erva,
a beleza, a vida... e roda,
vibra, fala.
Peito aberto à rudeza,
ao vento, à podridão
decadente...
que vai
longe...
e bate contra o chão
sagrado.
Pés à frente, rumo à
desesperança, combate
sem trégua à morte certa...
que vai
longe...
e pisa o pó santo
de seu guia, e bate
e pula e dança, festeja vida, sempre.
Cabeça que pensa, sofre, medita,
faz e vai
longe...
e se dá ao sangue que
faz penetrar a vida
de outro
que agora vem e fica...
mas está lá
longe...
em terras sagradas
que dançam
festejam
saudam
trazem vida,
sempre.