domingo, 22 de junho de 2008

Ao Dé, energia viva no universo; paz - vida - luz: sempre.


"Enfim é manhã, acordar tem tanto perigo, não é mais

possível sonhar com o impossível.

Neste último segundo foi como uma visão antes de abrir os

olhos,

Tive a grande certeza: a vida é um prato de

minguau.

É! O que falo é sério, estamos todos mergulhados neste

pequeno prato de minguau.

No meio dele está fumegante como lava de vulcão, tudo ali

borbulha, tudo é up.

É fashion, é podre, é criminal, é divinamente divino, é

maravilhosamente maravilhoso, descaradamente profano.

Cada molécula de fumaça, cada átomo dessa mistura toda,

atravessa toda intensidade do céu e do inferno é pura

pulsação.

Pela beiradas este pequeno prato traz a porção mais fria

deste minguau,

é dali que os ratos se alimentam dessas sobras de

mesquilharia, por ali eles

arrotão futilidades, por ali se arrogão donos do planeta.

Espremidos entre o calor fervente da vida pulsante, e o

morno decadente da

existência degradada, estamos nós, você, eu.

É o equilíbrio de tudo isso, de toda essa loucura, que

descubro ser a vida,

é uma pena e muito bom ter visto isso só agora.

Acordar já não será tão perigoso assim."


= Paulo Rogério Leonel Silva, poeta, pensador e fazedor de pedras; moldava o vidro, dava-lhe formas, várias =
2002

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