
"Enfim é manhã, acordar tem tanto perigo, não é mais
possível sonhar com o impossível.
Neste último segundo foi como uma visão antes de abrir os
olhos,
Tive a grande certeza: a vida é um prato de
minguau.
É! O que falo é sério, estamos todos mergulhados neste
pequeno prato de minguau.
No meio dele está fumegante como lava de vulcão, tudo ali
borbulha, tudo é up.
É fashion, é podre, é criminal, é divinamente divino, é
maravilhosamente maravilhoso, descaradamente profano.
Cada molécula de fumaça, cada átomo dessa mistura toda,
atravessa toda intensidade do céu e do inferno é pura
pulsação.
Pela beiradas este pequeno prato traz a porção mais fria
deste minguau,
é dali que os ratos se alimentam dessas sobras de
mesquilharia, por ali eles
arrotão futilidades, por ali se arrogão donos do planeta.
Espremidos entre o calor fervente da vida pulsante, e o
morno decadente da
existência degradada, estamos nós, você, eu.
É o equilíbrio de tudo isso, de toda essa loucura, que
descubro ser a vida,
é uma pena e muito bom ter visto isso só agora.
Acordar já não será tão perigoso assim."
= Paulo Rogério Leonel Silva, poeta, pensador e fazedor de pedras; moldava o vidro, dava-lhe formas, várias =
2002

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