sexta-feira, 5 de junho de 2009

A Deus em honra de Expedito, Jorge e Judas Tadeu, santos nossos de todas aflições e alegrias

Aos santos guerreiros que nos socorreram, socorrem e sempre estão conosco: pela graça recebida.



...que as aflições, desesperos, angústias e situações sem saídas se afastem. Reine a paz e a vida. Amém, santos guerreiros. Amém senhor Deus de Jesus Cristo e Oxalá. Amém, Aché.

...pelas graças recebidas e as graças que todos os dias nos são concedidas. Obrigado Senhor, obrigado Expedito, Jorge e Judas Tadeus, santos intercessores. Em ti espero Senhor.

domingo, 13 de julho de 2008

peça a ser concluída. como ficará? não sei.












Há compromisso ético quando temos a convicção que "(...) bom é tudo o que conserva e promove todos os seres, especialmente os vivos e, dentre os vivos, os mais fracos; mau é tudo o que prejudica, diminui e faz desaparecer os seres" (Boff). "O ser humano vive eticamente quando renuncia estar sobre os outros para estar junto com os outros" (Boff): ser-n0-mundo-lidando-com-as-coisas-e-falando-com-os-outro (Heidegger).


O ser e o tempo, M. Heidegger
Ecologia, Mundialização, Espiritualidade, L. Boff

sábado, 12 de julho de 2008




Nossas várias metades:
somos seres divididos...


O homem contemporâneo é dividido, mutilado, incompleto, hostil a si mesmo. Marx e Freud chamam a esta mutilação e hostilidade de alienação e repressão, respectivamente (Ítalo Calvino). A alienação mutila e hostiliza porque rouba o usufruto do trabalho. Emprestamos criatividade, força física, intelectual (nossa existência) e o trabalho não nos pertence, pertence a outro que não sabemos quem é. Estranho ao seu trabalho e ao produto dele, o homem torna-se escravo da produção, essa o domina. No processo de produção capitalista, somos apenas consumidor, apenas uma boca que come, um corpo que se exibi - sem cabeça, pois não podemos pensar. A repressão, fruto da censura imposta pelo superego nos leva a enterrar parte de nós no subconsciente; nos faz viver de metades compostas de atos falhos, racionalizações e projeções. Não nos assumimos por inteiro, somos somente emoções boas e positivas (Renato Janine Ribeiro), só parte de nós vive: escondendo-se das outras metades.
Alienação e repressão, filhas diletas do "superego social" dessa nossa civilização ocidental de pensamento único: modo de produção capitalista global e monopolista. Atinge, também, o homem coletivo que está mutilado, dividido, uma vez que a ideologia capitalista de pensamento único gera a propriedade privada (uns têm outros não tem; uns moram outros não moram; uns comem outros não comem), gera um mundo cindido (um rico e dono das tecnologias; outro pobre e fornecedor compulsório de biodiversidade), gera saber e qualidade de vida para alguns e analfabetismo e morte-em-vida para outros. Tal pensamento único mutila o homem coletivo porque produz os vários fundamentalismos: econômico, cultural, político, ideológico, religioso, estético... Criador de repressão, o fundamentalismo nos faz viver na dicotomia bem/mal, certo/errado, bonito/feio, pode/não pode, onde o bem supremo reside nas grandes potências econômicas/militares e o mal no povo pobre, islâmico, negro, indígena, mestiço.
Alienação e repressão de pensamento único de uma civilização ocidental de modo de produção capitalista global e monopolista, que nos impõem como únicos valores o acúmulo, o consumo e a ascensão social. Significando conquista de poder, autoridade e domínio; valores que dão origem ao ser humano "ideal": "...beleza física, corpos escupidos em academias, saúde em termos de juventude, dinheiro nas provas concretas de sua posse (carros importados, telefone celular acionado nas ruas e supermercados, grifes, mansões com quartos às dúzias), sucesso profissional, glória na mídia etc; choram-se os minutos da glória que não vêm ou já foram; escancaram-se os resultados positivos, ignoram-se os meios." (Yves de La Taille). Eis o homem contemporâneo mutilado, partido ao meio: pessoal e socialmente; mais preocupado "...em acumular bens e sensações inúteis. É a tal 'ética do desespero', pautada no tripé sexo/droga/Credicard..." (Julio Groppa Aquino/Rosely Sayão).

Ítalo Calvino, O Visconde partido ao meio - Cia das Letras
Renato Janine Ribeiro, Sinta raiva - Folha de São Paulo, 02.05.2002
Yves de La Taille, A indisciplina e o sentimento de vergonha, in, Indisciplina na escola... Summus
Julio Groppa Aquino e Rosely Sayão, Em defesa da escola - Papirus

sexta-feira, 11 de julho de 2008


Faz tempo, mas eu estava lá. Onde estou?

(...alimentas-te teus filhotes; hoje, sustentas as plantas que nos dão o verde)



Levantar e deitar. Fazer e desfazer. Ver e rever. Lembrar e relembrar. Querer e desquerer. Deitar novamente, recomeçar; e vai a vida que se vai, vida de fazer e refazer, sempre. A cada amanhecer, sempre. Sem querer, sem pensar, sem pestanejar; lá tudo novamente, eterno retorno do que nunca se quis, arraigado ao fazer. Novo que de repente vem sem querer, sem pensar, sem pestanejar; que se faz no amanhecer oferecendo a vida que não se vive, no eterno desfazer e fazer; rever e ver; relembrar e lembrar; desquerer e querer; deitar e levantar. Sempre, sem querer, sem pensar, sem pestanejar.

O céu estava cinzento; eu estava cinzento. A chuva desabou o céu. A chuva passou. Nós estamos lá, desabando sobre nós mesmos: a cerveja, a pinga, a emoção e a razão contida. Desabou-se um ano.
(desenho de Aruanda Costa Leonel Ferreira - 2002)




Eu estava todo programado; o relógio na hora certa para despertar, o pessoal atento para chamar-me, caso não atendesse ao relógio. O relógio parou de tocar. O pessoal parou de chamar. Atendi a todos, mas dormindo continuei. Eu sabia da importância da reunião. Além disso, alguém havia se desprogramado para que a reunião fosse na quinta-feira. Eu sabia. Mas dormindo continuei. Nem um sinal de vida; o corpo não respondia, estava morto? Talvez. Descaso com todos? Não sei. Só sei que eu havia me programado todo, mas o corpo não respondeu. Agora que o corpo despertou e a consciência o castiga pelo que fez , sinto o questionamento: devo continuar? pra quê? Se, de repente, este corpo meu, espantado com o corre-corre, não está obedecendo quando um compromisso tem. Agora, rasga as minhas palavras e crê na humanidade.

(tempo, compromisso, atraso, descaso... que tempo é esse tempo?)



quinta-feira, 10 de julho de 2008


(III)


Minhas peças atiradas,
dadas à vida...



(I)

(II)

(I) peça de Edena Ramos Belanzani
(II) peça de Judith Elazari
(III) peça de Mansur e Eulina Lutfi


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Ao deus de nossa existência


"A tradição mística diz que a dimensão mais profunda de nós mesmos é aquilo que chamamos de "Deus". E reflete, afirmando que a tarefa do ser humano é passar do Deus que temos para o Deus que somos, na profunda radicalidade." (Leonardo Boff, in Tempo de Transcendência,
Sextante. 2000)
Pai amado,
Jesus misericordioso,
Divina luz.
Maria, mãe e senhora.
Anjos, Santos e Orixás...
Ogun iêêê!!!!
Ore yèyé o!!!
Atotô!!!
E èpàà bàbá!!!
Fica conosco Senhor, não abandones jamais a obra que começas-te.
Senhor Deus de Jesus Cristo e Oxalá: Javé, Olorún, Obatalá e Ifá.
Santos anjos do senhor, santos irês, santos inocentes, santos exus que nos abrem os caminhos e trazem o axé, santos anjos guardadores; nos guarde a todos e proteja-nos de todo mal. Amém, Axé.
Com Maria, a mãe de Deus; em nome de Jesus, o Deus amado; ao Pai das misericórdias. Amém.

terça-feira, 8 de julho de 2008


(Caras lembranças de leitura)


Viver em Canudos nos livros de Francisco Marins; Viver a introspecção do garoto de meu pé de laranja lima; Ser um dos rapazes esquisitos, exóticos, idiossincráticos da rua descalça; Descobrir o que as letras gravaram em latim nos livros de missa; Perceber que era possível rezar lendo; Viajar nas parábolas bíblicas; Sentir o cheiro e o gosto do doce de coco preparado no tronco do ipê. Ter raiva de Capitu, pena de Bentinho. Experimentar o Cortiço; a sujeira, a gentarada, a exploração, o preconceito, a ambição, a solidariedade. Saber que sempre há uma pedra no caminho, mas que sempre é possível chutá-la pois, de repente, toda filosofia nos foge pela janela dos fundos e nos resta apenas comer chocolates. Sentir e ouvir a mãe contar a história do vestido e, de repente, o pai chegar e a vida continuar normal, como se não tivesse sido interrompida. Ter a certeza de que ninguém é santo, nem os que pregam santidade e constatar isto nos horrores de padre Amaro. Ler. Me faz tudo isto. Há em mim um pouco de bondade e esquicitice dos rapazes da rua descalça, um pouco de santo e um pouco de louco. Então fico aqui, atrás das grades, preso às minhas esquisitices, embriagado e tonto dos prazeres que a leitura me tem proporcionado. Acabo por agora.


= "Palavras em encontros poéticos" = aulas da Profa. Dra. Eulina Pacheco Lutfi, 1997

(depois de alguns anos reencontrei esse texto. Escrito numa época onde se podia pensar e fazer educação pública. Será que ainda dá para acreditar na estrutura (política, pedagógica, administrativa e física) da escola pública? Tudo está desmoronando; há denúncias, todos vêem, ninguém faz nada)


"Não há como deter os avanços tecnológicos"


Oralidade - tecnologia - diálogo - encontro - ética - transformação: o novo


Ensino-aprendizagem, um processo de comunicação; parte da realidade, concretiza-se na mudança ou transformação do sujeito e do espaço sócio, político onde está (Gutiérrez). É práxis. Tal processo é coordenado pelo professor - aquele que no dizer de Terezinha Rios deve ser o possuidor de saberes éticos (sabe o lugar sócio-político-histórico onde atua e, assim, propicia situações que levem às transformações que visam a promoção do ser humano e da sociedade) e técnicos (competência nos saberes específicos da sua área de ensino e dos caminhos pedagógicos do processo ensino-aprendizagem). Segundo Pedro Demo, esse professor tem um "papel maiêutico"; temos aqui a essência da comunicação: o diálogo. Maiêutico, ele será o provocador dialético de conversas genuínas (onde há aceitação do outro) que viabilizem o encontro dialógico (professor/aluno, aluno/professor; estar-dois-em-recíproca-presença = Buber) mediatizados pelo saber científico, pelo contexto, pela cultura ("poucas vezes produzida em escolas e muitas vezes produzidas fora delas... produz e reproduz, faz nascer, resnacer o conhecimento, as sabedorias, mostra novamente o antigo, demonstra o novo, o saber-fazer dos homens" - Milton José de Almeida).

O espaço-aula torna-se o local das mediações necessárias para que o saber se faça; para que o aluno possa produzir seu caminho a partir do esforço de reconstrução (Pedro Demo) de todos os dados, conteúdos, situações e reflexões possibilitadas no processo dialógico de aprendizagem (maiêutico, portanto comunicacional).

Temos os principais agentes da comunicação educacional: o professor (emissor/receptor) e o aluno (receptor/emissor); resultando na produção do novo: processo ensino-aprendizagem enquanto momento de conversação genuína que leva a uma tentativa de transformação do que aí está.

Não estamos sós no mundo, não é o espaço-aula (ato pedagógico primeiro) imune à produção dinâmica da cultura e dos avanços tecnológicos. Das imagens das cavernas (oralidade educacional dos primeiros ensaios pedagógico-comunicacionais) chegamos à imagem das tvs, vídeos, dvds, parabólicas, hipertextos. Tudo está lá, faz parte do espaço-aula (de modo saturado em alguns centros, escassos em outros, não existentes em uns tantos). É a nova oralidade que "aos poucos" vai invadindo o espaço-aula.

Não era o pó de ferro feito tinta o fim último das imagens rupestres; mas a transmissão de informações, saberes, produção cultural. Assim também na nova oralidade que aí está; tais tecnologias não têm fim em si mesmas. São meios, recursos, estratégias a partir das quais a maiêutica educacional pode acontecer.

Afirmamos que o professor é o provocador ético-técnico do diálogo educacional (maiêutica) que leva a um encontro professor/aluno para a produção do novo; somos sabedores das launas existentes na formação acadêmica, emocional, política e ética do professor; sabemos também que nada é absoluto, a história é dinâmica; assim, uma utilização eficaz das novas tecnologias a serviço da educação passa por um processo de formação contínua do professor. Pedro Demo diz que sem "a preparação adequada dos professores... pode-se conseguir... a introdução mecânica de inovações destituídas da capacidade de inovação própria da aprendizagem de cariz político."

Para tanto é necessário que o professor assuma a sua formação contínua, pois só "a reflexão sobre a própria prática é, em si mesma, um motor essencial de inovação." Dessa forma, o "insumo potente" não engordará o próprio sistema... "não há como deter os avanços tecnológicos", temos que utilizá-los eticamente.
(Luiz Mauro - 1998/2008)

....o professor ainda está lá; dia após dia. E os outros, onde estão?


sexta-feira, 4 de julho de 2008

Vai a aparência fica a essência



Vai a aparência
fica a essência.
Hoje foi o relógio
ontem o beijo
roubado
o documento levado;
mais atrás
o cano na cabeça
a carteira devolvida;
Vai a aparência
fica a essência.
Nada filosófico...
o relógio foi, e foi mesmo
ficou-me o tempo.
O documento também, foi,
eu fiquei, prova maior
de que existo...
do cano na cabeça não
ficou a essência
ficou só na aparência, graças...
o beijo roubado
não foi levado,
foi dado.

....quero escrever

mas não sei...

a alma está

esquisita....

o pensamento não

funciona...

o raciocínio está

parado.

Tudo estranho,

preciso pensar

no que quero

no que não quero,

o coração está

do jeito que quero,

na cabeça há confusão

profissão

logias da vida

tudo me

confunde a alma

desanima o corpo

desfalece os sentidos.

Tudo, tudo

muito esquisito

vejo papéis,

canetas, livros,

grampeador, furador,

entalhes, remédios,

líquidos, pomadas,

escova...

tudo pula sobre mim

estou me afogando

vejo uma cruz

cheia de penduricalhos

que me são caros

raros, belos

O palhacinho

me sorri,

mas chora...

que faço?

Cleiton


Moleque de rua

que hoje tá triste,

que houve..

que aconteceu...

que te fizeram...

mais do que já fazem?

Conta...

nada,

sabia.

Nunca se sabe o porque

da tristeza,

ela vem,

simplesmente,

ela está,

ela é.

Anormal é sorriso

alegria

vida

paz

luz

A noite é longa,

tchau,

abraço,

até...



Cara da culpa

Noite escura
bem tarde
rua deserta
alguém exclama:
cara feia, estranha,
que medo!!!
Penso:
cara de pobre,
sei que negra,
feia
estranha
dá medo;
é a cara da fome, do desprezo,
do medo, da angustia,
da miséria, do sofrimento, da ansiedade,
da exploração
da culpa sem culpa
da esperança desesperada.
Cara
de pobre
e negra.

quinta-feira, 26 de junho de 2008

"Não sei se estás aí"


Não sei se estás aí

ou não

só sei que tens nos

feito coisas tremendas

nos faz pensar...

rir...

chorar.



Tu nos têm feito coisas

maravilhosas.



Não sei quem tu és,

donde a certeza de

que estás aí?

Só sei que nos têm feito

vibrar...

amar...

sonhar...

temer...

tremer.


Não sei se estás aí,

só sei da felicidade

que nos dá,

nada atrapalhas

tudo completas

tudo nos dá.


(lá se vão vinte e dois anos deste escrito; e tu continuas nos dando: amor, felicidade, sonho, temor, tremor.... tudo completas, tudo nos dá)

"Eu vazio"

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a mágoa
que me invade o peito
e avassala-me a mente?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a fera que quando
menos espero
vem?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a dor que range e fere?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
o pranto que canto,
choro e poetizo?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a força
que de ti me vem?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
o Amor
que te tenho?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
tu
que me encanta e alucina?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
tu, Amor meu,
que me arrebata a lugares
ermos, tranquilos,
serenos?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
a força que de ti
me vem
e faz-me
enfrentar mágoa, feras,
dor
pranto...
e viver no
Amor?

...que há em mim
que possa dizer meu
exceto
tu?

(Luiz Mauro)

quarta-feira, 25 de junho de 2008




Assim ela rezava.
Riscando no papel a casa de seu Deus.

(Norminha de nossas vidas)