
Cara da culpa
Noite escura
bem tarde
rua deserta
alguém exclama:
cara feia, estranha,
que medo!!!
Penso:
cara de pobre,
sei que negra,
feia
estranha
dá medo;
é a cara da fome, do desprezo,
do medo, da angustia,
da miséria, do sofrimento, da ansiedade,
da exploração
da culpa sem culpa
da esperança desesperada.
Cara
de pobre
e negra.

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