
(depois de alguns anos reencontrei esse texto. Escrito numa época onde se podia pensar e fazer educação pública. Será que ainda dá para acreditar na estrutura (política, pedagógica, administrativa e física) da escola pública? Tudo está desmoronando; há denúncias, todos vêem, ninguém faz nada)
"Não há como deter os avanços tecnológicos"
Oralidade - tecnologia - diálogo - encontro - ética - transformação: o novo
Ensino-aprendizagem, um processo de comunicação; parte da realidade, concretiza-se na mudança ou transformação do sujeito e do espaço sócio, político onde está (Gutiérrez). É práxis. Tal processo é coordenado pelo professor - aquele que no dizer de Terezinha Rios deve ser o possuidor de saberes éticos (sabe o lugar sócio-político-histórico onde atua e, assim, propicia situações que levem às transformações que visam a promoção do ser humano e da sociedade) e técnicos (competência nos saberes específicos da sua área de ensino e dos caminhos pedagógicos do processo ensino-aprendizagem). Segundo Pedro Demo, esse professor tem um "papel maiêutico"; temos aqui a essência da comunicação: o diálogo. Maiêutico, ele será o provocador dialético de conversas genuínas (onde há aceitação do outro) que viabilizem o encontro dialógico (professor/aluno, aluno/professor; estar-dois-em-recíproca-presença = Buber) mediatizados pelo saber científico, pelo contexto, pela cultura ("poucas vezes produzida em escolas e muitas vezes produzidas fora delas... produz e reproduz, faz nascer, resnacer o conhecimento, as sabedorias, mostra novamente o antigo, demonstra o novo, o saber-fazer dos homens" - Milton José de Almeida).
O espaço-aula torna-se o local das mediações necessárias para que o saber se faça; para que o aluno possa produzir seu caminho a partir do esforço de reconstrução (Pedro Demo) de todos os dados, conteúdos, situações e reflexões possibilitadas no processo dialógico de aprendizagem (maiêutico, portanto comunicacional).
Temos os principais agentes da comunicação educacional: o professor (emissor/receptor) e o aluno (receptor/emissor); resultando na produção do novo: processo ensino-aprendizagem enquanto momento de conversação genuína que leva a uma tentativa de transformação do que aí está.
Não estamos sós no mundo, não é o espaço-aula (ato pedagógico primeiro) imune à produção dinâmica da cultura e dos avanços tecnológicos. Das imagens das cavernas (oralidade educacional dos primeiros ensaios pedagógico-comunicacionais) chegamos à imagem das tvs, vídeos, dvds, parabólicas, hipertextos. Tudo está lá, faz parte do espaço-aula (de modo saturado em alguns centros, escassos em outros, não existentes em uns tantos). É a nova oralidade que "aos poucos" vai invadindo o espaço-aula.
Não era o pó de ferro feito tinta o fim último das imagens rupestres; mas a transmissão de informações, saberes, produção cultural. Assim também na nova oralidade que aí está; tais tecnologias não têm fim em si mesmas. São meios, recursos, estratégias a partir das quais a maiêutica educacional pode acontecer.
Afirmamos que o professor é o provocador ético-técnico do diálogo educacional (maiêutica) que leva a um encontro professor/aluno para a produção do novo; somos sabedores das launas existentes na formação acadêmica, emocional, política e ética do professor; sabemos também que nada é absoluto, a história é dinâmica; assim, uma utilização eficaz das novas tecnologias a serviço da educação passa por um processo de formação contínua do professor. Pedro Demo diz que sem "a preparação adequada dos professores... pode-se conseguir... a introdução mecânica de inovações destituídas da capacidade de inovação própria da aprendizagem de cariz político."
Para tanto é necessário que o professor assuma a sua formação contínua, pois só "a reflexão sobre a própria prática é, em si mesma, um motor essencial de inovação." Dessa forma, o "insumo potente" não engordará o próprio sistema... "não há como deter os avanços tecnológicos", temos que utilizá-los eticamente.
(Luiz Mauro - 1998/2008)....o professor ainda está lá; dia após dia. E os outros, onde estão?

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